Dia Mundial da AIDS: panorama brasileiro, sintomas e medidas profiláticas
Drª. Ana Gales, infectologista, alerta para importância do diagnóstico precoce


01/12/2020 10:41:30 Comunicação NOTÍCIAS

O Calendário da Saúde inicia o mês de dezembro com uma data de suma importância: o Dia Mundial da AIDS. A doença, causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, popularmente conhecido pela sigla HIV, enfraquece o sistema imunológico do organismo atacando células de defesa responsáveis por combater rotineiramente bactérias, vírus e demais micróbios que entram em contato com o corpo humano – tornando-o, assim, vulnerável frente às enfermidades oportunistas que certamente surgirão, seja um resfriado ou até mesmo câncer.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, até o fim do ano passado, o índice de infectados pelo HIV no mundo era de 38 milhões de pessoas – dos quais 7,1 milhões não sabiam que viviam com o vírus. No Brasil, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registrou, entre 2007 e junho de 2019, mais de 300 mil casos de infecção – entretanto, tal notificação passou a ser obrigatória apenas a partir de 2014, fator que impede uma análise epidemiológica mais precisa. Entretanto, a taxa de detecção de AIDS segue caindo em nosso país, de acordo com dados do Boletim Epidemiológico de 2019.

Médica infectologista do Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus, Drª. Ana Gales (CRM/SP 73842) ressalta que os sintomas da AIDS vão depender se ela se manifestará com a infecção por doenças oportunistas. No entanto, há manifestações comuns, que devem ser observadas com atenção.

“Perda de mais de 10% do peso corporal, febre baixa e diarreia por períodos prolongados (mais de um mês) e o aparecimento de ínguas (linfonodos com tamanho superior a 1cm) costumam preceder os sintomas causados pelas doenças oportunistas. Entretanto, muitos pacientes só ‘descobrem’ a AIDS quando recebem o diagnóstico de infecções oportunistas, como a pneumonia causado pelo fungo Pneumocystis jirovecii. Tal manifestação faz com que a pessoa sinta falta de ar e procure o Pronto-Socorro com urgência”, detalha a especialista, endossando a importância do diagnóstico precoce.

“É fundamental que o tratamento da AIDS se inicie com o sistema imune preservado. As pessoas, portanto, devem procurar saber se vivem com o HIV, pois podem passar muito tempo sem sentir nada e, assim, desenvolver o potencial para transmiti-lo, principalmente através da atividade sexual, e também de adoecerem. Desta forma, faz-se necessário o uso do preservativo não apenas durante o sexo vaginal e anal, mas também no oral”.

Por fim, Drª. Ana Gales explica que as medidas profiláticas não são aplicadas, apenas, no contexto pós-exposição, mas também em casos de pessoas submetidas ao risco de adquirir HIV em relações sexuais.

“Realizamos a profilaxia pós-exposição em vítimas de violência sexual, com medicação para prevenir a aquisição do vírus. Por sua vez, a profilaxia pré-exposição, também chamada de ‘PREP’, é um procedimento cumprido em casais sorodiferentes ou pessoas submetidas ao risco de aquisição de HIV na atividade sexual. Todavia, é importante salientar que a PREP não impede que a pessoa tenha outras doenças transmitidas através do sexo, tais como sífilis, hepatite B e hepatite C. Portanto, deve ser entendida como uma proteção a mais”.

Há risco de infecção por HIV

  • Sexo sem preservativo
  • Compartilhamento de seringas ou agulhas
  • Transfusão de sangue contaminado (situação muito rara nos dias atuais)
  • Instrumentos cortantes não esterilizados corretamente
  • Transmissão vertical (da mãe contaminada para o bebê, via placenta)

Não há risco de infecção por HIV

  • Pelo ar
  • Picadas de insetos
  • Compartilhamento de talheres
  • Abraços ou aperto de mão
  • Contato com saliva, suor ou lágrimas

Profª. Drª. Ana Cristina Gales (CRM/SP 73842) é graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André-SP, com mestrado e doutorado em Infectologia pela UNIFESP/Escola Paulista de Medicina, onde atua como Professora Adjunta e Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Infectologia. É professora convidada do Curso de Medicina da USF e médica assistente do ambulatório do Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus, onde atua na assistência dos pacientes também infectados pelo HIV.


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