Tríduo em honra a São Francisco de Assis e aos 34 anos da ALSF: último dia
Os três dias de celebração foram encerrados com a presença de Dom Sérgio Colombo


04/10/2019 13:39:09 Comunicação NOTÍCIAS

Na manhã especial desta sexta-feira (4/10), foi celebrado na Capela do Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus o último dia do Tríduo em honra a São Francisco de Assis e aos 34 anos da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, entidade mantenedora de nossa instituição. A celebração especial ficou a cargo de Dom Sérgio Aparecido Colombo e contou com a presença ilustre da diretoria do Hospital, representada por Leandro José Uliam e Frei Roberto Santos, diretores administrativos; Dr. Pedro Izzo, médico diretor técnico; e Dr. André Aparecido Oliveira, advogado responsável pelo departamento jurídico. 

Clique aqui para conferir os registros dessa manhã de fé e devoção, encerrando os comemorativos de nosso patrono tão especial!

Abaixo, você lerá, na íntegra, o texto franciscano que detalha o terceiro amor de São Francisco de Assis: a Eucaristia!

São Francisco de Assis e a Eucaristia

São Francisco de Assis não somente devota grande amor à Eucaristia, mas admoesta a todos os frades a amar e zelar pelo sacramento do Corpo do Senhor.

Deus, por meio da Eucaristia, comunica vida nova (cf Ap 21, 1-7), reconciliando todas as coisas (cf. Cl 1, 20). Tudo isso não faz de forma grandiosa, mas pobremente, humildemente (cf. Ad 1, 17), pois não se fixa nem se apega a sua condição divina, sua grandeza (cf. Fl 2, 6).

Na Eucaristia, a pobreza do Senhor se repete diariamente. Ele, que nasceu nu e pobre, viveu pobre e, por fim, morreu nu e pobre, sob as mais terríveis humilhações, vazio de si, mas totalmente repleto de Deus.

São Francisco entende e se admira com tão grande entrega de amor e por amor. A Eucaristia é o sacramento do Amor, da entrega voluntária, livre, obediente e pobre. É o sacramento do Deus que se fez pequeno para nos libertar, resgatando-nos do pecado. Por esse motivo, o Santo de Assis nos convoca à pequenez; a também nos esvaziarmos de nós mesmos e nos preencermos do Espírito de Deus, a fim de que possamos contemplar em espírito e verdade o Corpo e Sangue do Senhor. O Pobre de Assis nos ensina que a pobreza é a condição para “ver e crer” (cf. Ad1, 12s)

A presunção (cf ad 1, 13), a grandeza, nos afasta não somente da visão do Corpo e Sangue do Senhor, mas de toda a vida que de tão sublime sacramento provém, como nos afirma o Santo na admoestação primeira:

“Por isso, foram danados todos quantos viram o Senhor Jesus segundo a humanidade, e não O viram, e não creram segundo o espírio e a divindade, que seja o verdadeiro Filho de Deus. Do mesmo modo, todos os que vêem o sacramento, santificado pelas palavras do Senhor sobre o altar, através da mão do sacerdote, na forma de pão e vinho, e não crêem segundo o espírito e a divindade que seja verdadeiramente o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor, sejam danados.” (Ad 1, 8-9)

Somos exortados por São Francisco a amar tão grande mistério. Na RNB (23,8), o Santo nos convoca a amar com força visceral. Esse amor deve se traduzir numa constante louvação e ação de graças, numa vida nova que nos une a todos à criação, que nos une a cada irmão. São Francisco nos ensina que a Fraternidade Universal brota da Eucaristia, que sintetiza o dom do Amor e da vida concedidos por Deus.

“Amemos todos com diligência o Senhor Deus. Amemo-lo de todo coração, de toda alma, de toda a mente, com todo o vigor e toda a fortaleza, com todo o intelecto, com todas as forças, com todo esforço, com todo afeto, todas as vieras, todos os desejos e vontades. Amemos a Ele que nos deu e nos dá, a nós todos, todo o corpo, toda a alma e toda a vida; que nos criou, redimiu e somente por sua misericórdia nos salvará; a Ele que fez e faz todo e bem a nós miseráveis e infelizes, pútridos e fétidos, ingratos e maus… Creiamos veraz e humildemente. E retenhamos no coração e amemos, honremos e adoremos, sirvamos, louvemos e bendigamos; glorifiquemos e superexaltemos e rendamos graças ao altíssimo e sumo Deus eterno.” (RNB 23, 8.11)

São Francisco nos ensina a ver na Eucaristia Deus, que é o sumo bem eterno, do qual procede todo o bem, sem o qual nenhum bem existe (EPN 2). Dentre todos os que procedem de Deus, está a unidade com Ele através dos vestígios de seu amor, revelados a nós por meio das criaturas. Assim, o cântico do irmão sol, os Louvores a Deus Altíssimo, os Louvores para todas as horas colocam-se ao lado do salmo 136, o grande hallel: como uma ladainha em louvor da bondade de Deus manifestada na criação e na organização do universo; e também em louvor da Divina providência que governa a caminhada do povo de Deus no deserto. (intodução do sl 136 - Bíblia CNBB)

O grandioso mistério de Amor, que se encontra diante do altar, é o coração de Deus Providente (cf. fr Joel Souza). Esse coração concentra em si o sangue das vitimas através das quais se celebrava a antiga aliança, a fé de Abraão e o sacrifício de Isaac (Gn 22,16); pois são profecias do sumo Bem, do amor de Deus aos homens; do Deus que também não poupou seu próprio Filho primogênito. (cf fr. Mauro Strabelli, ofm cap).

Assim, podemos verificar como a Eucaristia guarda em perfeita unidade o mistério da encarnação (cf Ad 1, 16), o mistério da redenção (RNB 23,8) e o mistério da ressurreição (cf Lucien Deiss1: A páscoa de Cristo é a festa da nova criação e da primavera de eternidade).

Em nossa constituição, nº 27, em conformidade com o documento conciliar (Vat II) Sacrosanctum Concilium, lemos que “o sacrifício Eucarístico nos integra, cada vez mais no Mistério Pascal, que é o centro vital de nossa comunidade, revigorando-os em nossos compromissos”.

“Da eucaristia principalmente, como de uma fonte, se deriva a graça para nós e com maior eficácia é obtida aquela santificação dos homens em Cristo e a glorificação de Deus, para a qual, como a seu fim, tendem a todas as demais obras da igreja” (SC 10)

Dom e fonte de todo dom, a Eucaristia nos vivifica como filhos do Altíssimo Pai celestial, e nos irmana a Cristo Jesus e a toda a Criatura. A luz eucarística, que é a própria luz de Cristo, nos ilumina, clareia nossos caminhos e nos conduz.


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