Tríduo em honra a São Francisco de Assis e aos 34 anos da ALSF: fotos do 2º dia
O tema abordada na manhã desta quinta foi: "São Francisco e a Cruz"


03/10/2019 14:32:59 Comunicação NOTÍCIAS

Na manhã desta quinta-feira, a Capela do Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus recebeu o segundo dia do Tríduo em honra a São Francisco de Assis e aos 34 anos da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, cujo tema é "Os três amores de São Francisco". Hoje, com a celebração de Padre Emerson Aparecido da Silva, foi abordada a temática da Cruz.
  
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Amanhã (4/10), às 9 horas, em nossa Capela, o Tríduo será encerrado com a solenidade a São Francisco de Assis e o aniversário de 34 anos da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, com a celebração especial de Dom Sérgio Aparecido Colombo. Contamos com a sua presença!
 
Confira, abaixo, o texto detalhado sobre a temática abordada nesta manhã:
 
São Francisco de Assis e a Cruz
 

“Quem sois Vós, e quem sou eu?”

É a partir deste questionamento feito por São Francisco que voltaremos nosso olhar para a Cruz, a quem nosso seráfico Pai devotou amor incontido.

No hino Cristológico (Fl 2, 6-11), vemos o exemplo do despojamento total de si, de renuncia absoluta, condição e orientação para o sentido da vida de todo cristão (cf Lc 9, 23 a.)

Olhar para a cruz do Senhor é contemplar toda a Paixão, como nos ensina São Paulo em suas cartas; em segundo lugar, é voltar nosso olhar para nossa própria vida, pois somos convidados a aderir aos mesmos sentimentos e pensamento de Cristo (Cf Fl 2, 5)

Na famosa passagem (Cas 78; LTC 14), podemos perceber que o Santo de Assis, que carregava continuamente a cruz do Senhor (cf lB 13 2,4), chorava a Paixão muito freqüentemente. Para São Francisco, assim como para São Paulo, a cruz e a Paixão não somente se identificam, mas apontam o sentido da vida.

Tenhamos em mente (e, primeiramente, no coração) que um dos pontos altos da conversão, vocação e vida de São Francisco se dá diante do crucifixo de São Damião. (LTC 13, 6-10)

Naqueles anos que se seguiram após a alocução do crucifixo, o pobrezinho procurou reconstruir, materialmente, algumas igrejinhas. Todavia, São Francisco reconstruía-se a si próprio e, somente alguns anos mais tarde (aproximadamente 3), reorientava definitivamente sua vida terrena e espiritual (LTC 25).

“Paixão, aqui, deve ser entendida no sentido amplo, pelo qual, já no tempo dos Santos Padres (séc II a séc VI d.C.), designava-se todo o mistério do Amor salvífico e redentor de Deus” (Introdução OP)

Assim, podemos compreender porque, ao chorar a Paixão, o Santo de Assis afirmava: o amor não é amado!

A cruz sintetiza a luta de cada um de nós: de nossa humanidade que é chamada à santidade (cf. 2Tm 1, 9ª). Luta diária para nos esvaziarmos de nós mesmos, para nos preenchermos de Deus; esforço para alcançarmos as coisas do alto (cf Cl 3, 1s) em detrimento das terrenas.

“Entre todos os carismas do Espírito Santo, que Cristo concedeu e concede a seus amigos, está o vencer-se a si mesmo e sustentar opróbrios de vontade boa por causa de Cristo e da caridade de Deus.” (Atos 7,18)

“Pai, se queres, afasta de mim esta taça. Mas não se faça a minha vontade, e sim a Tua.” (Lc 22,42)

Jesus, verdadeiro homem, também sofreu o dilema em sua alma. Todavia, verdadeiro Deus, fez-se todo obediência, abandonando-se, sem restrições, a vontade do Pai, à Divina Providência. Nessa passagem e, sobretudo, na cruz, podemos verificar como obediência, pobreza e castidade (amor) se identificam. Assim, podemos contemplar na Paixão do Senhor, em sua máxima expressão, os conselhos evangélicos.

A cruz resume em nossa vida os conflitos existenciais de todo cristão: bem e mal; egoísmo e amor; mundo e pátria celeste; etc. Somos chamados, e isso São Francisco entendeu magnificamente, a nos unirmos a Jesus em sua Paixão, em sua cruz, para, com ele, vencermos o mundo. Somos convidados a inverter toda a lógica do século para, vencendo a si próprio, se assemelhar a Ele, que se fez obediente até a cruz. Por isso, o Pai o sobreexaltou. (cf Fl 2,8s; prólogo lB 2)

Nós, homens, não cessamos de procurar a felicidade, que somente em Deus encontraremos. Essa busca inevitavelmente passa pelo caminho da cruz. Sem a vivência da cruz, não há crescimento humano e espiritual; se não percorrermos o caminho da cruz, de modo igual, não percorreremos o caminho do Amor Autêntico.

Diz-nos São Francisco: “Atendamos, irmãos, o Bom Pastor, que para salvar suas ovelhas, suportou a Paixão da Cruz. As ovelhas do senhor seguiram-no na tribulação e na perseguição, na vergonha e na fome, na enfermidade e na tentação e em tudo mais; e disso recebam do Senhor a vida sempiterna.” (Ad 6,1s)

A união com o Cristo crucificado se dá quando acolhemos como bem-aventurança as injúrias, as perseguições, as provações, etc. (cf. Mt 5, 10-12); quando assumimos, em nossa carne, a dor e as feridas de todos quanto são atingidos pela lepra do século enfermo; quando de fato nos fazemos menores até nos assemelharmos a vermes; quando abrimos mão de nossa vontade e liberdade, para assumirmos a vontade do Pai, sem medidas ou condições.

Para nós, Franciscanos na Providência de Deus, a união com o Cristo Crucificado se dá, em sua excelência, quando vivemos o que está escrito em nossa oração do abandono.

“Ilumina as trevas do meu coração!”.

Por fim, a cruz, como nos ensina o Pobrezinho de Assis na oração diante do crucifixo, é a luz que deve iluminar nossa vida, de modo que possamos caminhar em direção ao Pai, a uma vida feliz, à realização de nossa consagração. A cruz ilumina o sentido de nossa vida, pois concentra em si o Mistério salvífico do Amor.

A Paixão do Senhor é que nos permite alcançar as virtudes sem as quais vida alguma pode ter sentido: fé, esperança, caridade; através das quais podemos viver retamente a vontade do Senhor, no reto cumprimento de seus mandamentos.


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