HUSF realiza transplante renal


29/06/2018 13:22:22 Comunicação NOTÍCIAS

Após 10 anos sem realizar transplantes renais, o Hospital Universitário São Franciso na Providência de Deus reintroduziu o Laboratório de Transplantes. O HUSF está credenciado através do Ministério da Saúde para realizar esse tipo de procedimento novamente. A decisão foi publicada no Diário Oficial.

O primeiro transplante no HUSF foi realizado em 1994. Até 2008 foram feitas 62 cirurgias. A 63ª aconteceu recentemente, no dia 19 de junho. A equipe multiprofissional realizou, com sucesso, um transplante renal de doador vivo.

“A volta desse tipo de procedimento traz benefícios para todos os profissionais do hospital, pois são implementadas políticas que irão melhorar a assistência hospitalar como um todo. A interação entre todas as áreas só traz ganhos, pois dissemina o conhecimento e gera mais afinidade entre as equipes”, afirma Dr. Thiago Filiponi, nefrologista e coordenador da UTI do HUSF.

O Brasil é o segundo colocado em número absoluto de transplantes renais (de uma lista de 30 países). De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), em 2016 foram feitos 5.426 transplantes. Os EUA estão em primeiro, com cerca de 20 mil e a França em terceiro, com aproximadamente 3 mil e quinhentos.

Segundo o RBT, em dezembro de 2017 no Brasil havia 21.059 pacientes na lista de espera para um transplante renal. “São 120 mil pessoas fazendo hemodiálise no Brasil. Somente na nossa região, são cerca de mil pessoas”, conta Dr. Alexandre Arrebola, nefrologista do HUSF.

O paciente transplantado vive mais e melhor. “Ele terá mais autonomia e qualidade de vida”, diz Dr. Marcos Castro, urologista do HUSF e coordenador da equipe do transplante. Mas é importante ressaltar que o transplante não é a cura, apenas uma forma de tratamento para doenças renais crônicas.

Vida Nova

Desde 2014 parte da rotina do mecânico S. B. R., 37 anos, era fazer hemodiálise três vezes por semana no HUSF. Cada sessão dura, em média, quatro horas. Pacientes com insuficiência renal conhecem bem o dia a dia dentro da hemodiálise. O tratamento, que usa uma máquina para fltrar o sangue traz algumas limitações. “A vida fica mais restrita, não podia viajar, estava sempre preocupado e com medo de alguma complicação”, recorda o paciente.

Contudo, a vida do mecânico começou a mudar no fim de 2017 quando o irmão decidiu doar um rim. “Eu não queria que ninguém se sacrificasse por mim. Por isso estava na fila de doadores falecidos. Mas depois de tanto tempo na hemodiálise a gente vai cansando. Meu irmão insistiu e eu aceitei”.

Pré-operatório

José G. de Matos Júnior, enfermeiro e coordenador da hemodiálise explica as várias etapas até a cirurgia: “Diversos exames são feitos para comprovarmos que o doador é compatível com o receptor”. Após certificar a compatibilidade, os pacientes são submetidos a outros exames para constatar que ambos estão em condições de passar pela cirurgia, como exames cardíacos, anestésicos e avaliação da equipe de urologia.

A equipe médica então prepara o termo de consentimento. “Nós conversamos com o doador e o receptor e expomos todos os riscos. Inclusive existe a participação de um psicólogo que oferece todo o suporte tanto para os pacientes, como para os familiares”.

Dr. Thiago Filiponi explica que no Brasil o transplante de doador vivo relacionado pode acontecer entre parentes de até segundo grau. Doadores não relacionados, ou seja, que não são parentes, necessitam de autorização judicial. 

Transplante

As cirurgias são feitas simultaneamente, ou seja, o rim retirado do doador vai imediatamente para o receptor. O procedimento dura cerca de quatro horas. Nas cirurgias do dia 19, participaram 20 profissionais. “O rim é colocado na região pélvica”, explica Dr. Marcos Castro. E uma curiosidade: o receptor fica com três rins. “A maioria das pessoas pensa que um rim é retirado para o outro ser colocado. Mas não é isso que acontece”, esclarece.

Marcos ainda explica que o doador recebe alta após 48 horas da cirurgia. Após os cuidados pós-operatórios, pode levar uma vida normal, mas tomando cuidado com a alimentação. É necessário ter uma vida saudável.

Já o paciente transplantado fica internado em média sete dias. Depois do procedimento ele é encaminhado a UTI, para que a equipe médica controle os sinais vitais, o volume de urina e da função renal. “É importante falar que o paciente irá tomar imunosupressores pela vida inteira. São esses medicamentos que irão ajudar o organismo a não rejeitar o órgão transplantado”, conta Dr. Alexandre Arrebola.

A durabilidade do rim transplantado de uma pessoa viva é de 15 a 20 anos. Já de doador falecido é de 10 a 15 anos. O limite máximo de idade para uma pessoa realizar o transplante é 70 anos.

Vida Nova

Nos primeiros meses após o procedimento, S. B. R. terá que tomar alguns cuidados: andar com máscara para proteger de infecções, evitar lugares fechados ou com aglomeração de pessoas. Além disso, terá que fazer consultas médicas regulares. Primeiro elas serão semanais, depois quinzenais, mensais e assim  por diante. “A vida segue normalmente”, enfatiza Dr. Alexandre.

R. A. S., 37 anos, esposa do paciente também falou da emoção que sentiu. “Foram quatro anos de sofrimento. O que o irmão do S. fez não é coragem, é amor”.  O mecânico ouve a esposa e confirma. Ele estava ansioso para receber alta hospitalar e ir para a casa. “A partir de hoje é vida nova, novos planos”, diz emocionado.

Prevenção

Estima-se que 10% da população brasileira tenha alguma disfunção renal. Por esse motivo é tão importante cuidar da alimentação e buscar um estilo de vida saudável. “Hipertensos, diabéticos e pessoas com histórico familiar de doença renal devem fazer acompanhamento com um nefrologista”, conclui Dr. Alexandre.

Equipe Médica HUSF

A equipe médica responsável pelo transplante é composta pelos seguintes profissionais:

Urologistas: Dr. Marcos Antonio Santana Castro; Dr. Nilton José de Oliveira; Dr. Denis Wilson Ramos; Dr. Celso Lepera.

Nefrologistas: Dr. Alexandre de Toledo Arrebola, Dr. Thiago Filiponi; Dr. James Patrick C. O. Bersano

Anestesistas: Dr. Mauro de Mello Rodrigues; Dr. Joaquim L. da Silva

Coordenador da Hemodiálise: Enfermeiro José G. de Matos Júnior

Gerente de Enfermagem: Enfermeiro Eduardo Camargo Gonçalves

Coordenadora do Cento Cirúrgico: Enfermeira Carla Freitas Bastos

Coordenação de Enfermagem UTI Adulto: Enfermeira Helenice Maria da Costa

O HUSF agradece o empenho e dedicação de toda a equipe e de todos os setores envolvidos no processo!


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