No Dia Nacional de Combate ao Fumo, colaboradora do HUSF conta como conseguiu parar de fumar
Somente na fumaça do cigarro existem mais de 4.700 substâncias tóxicas


29/08/2017 07:51:22 Comunicação NOTÍCIAS

As informações estão por todos os lugares. Basta fazer uma pesquisa na Internet para obter dados sobre os malefícios do cigarro. Mas por que tanta gente ainda continua fumando?

As respostas infelizmente não são simples. O cigarro causa dependência física, psicológica (ou emocional) e comportamental (ou de hábito). Isso quer dizer que o fumante usa o cigarro para aliviar o estresse, para descontrair e às vezes apenas para passar o tempo. O problma é que o organismo se acostuma a receber uma certa dose de nicotina (e outras dezenas de substâncias) presentes no cigarro.

Foi o que aconteceu com a técnica de enfermagem Elisabete Fluctuoso de Moraes, 49 anos. Ela começou a fumar aos 19 anos por causa da anisedade. Parou por um tempo depois que o filho nasceu, mas voltou a fumar aos 26 anos. “Você acha que o cigarro é um aliado, que te acalma. Você fuma e resolve o problema. Mas não é assim. Hoje consigo ver que é apenas um escape”, relata Elisabete.

Mesmo fumando há mais de 20 anos, muitas pessoas não sabiam que a técnia de enfermagem fumava. “Tinha vergonha. Ficava um tempão fazendo a higiene bucal para não cheirar cigarro. Não queria que os pacientes sentissem o cheiro. E no trabalho, depois do meu almoço, fumava escondida”.

Um dia Elisabete estava no Posto de Saúde, no bairro da Vila Bianchi, em Bragança Paulista, e viu um panfleto de divulgação para ajudar fumantes a largarem o cigarro. “Deixei meus dados e alguns dias depois a psicóloga Vanessa Luiz Moreira me ligou”.

Elisabete então passou a fazer parte de um grupo de 12 pessoas que se encontravam semanalmente com a supervisão da psicóloga. O grupo passava por uma avalição médica e compartilhava histórias. “Conversávamos da dificuldade em deixar o cigarro, tínhamos dicas de alimentação saudável e fomos incentivados a realizar atividades físicas”.

Para Elisabete o grupo foi de extrema importância, pois as conversas ajudaram a manter o foco. Como todo início, foi difícil. “Sentia mais falta durante as manhãs. Porque era um hábito. Então precisei mudar minha rotina”, relembra.

Ao longo das semanas as mudanças começaram a aparecer. Ela lembra que levantava durante a noite para fumar. Agora o sono está mais tranquilo. “Quando fumava não sentia o cheiro e nem o gosto dos alimentos muito bem. Também tossia muito. Hoje percebo que meu paladar e meu olfato estão melhores, assim como meus dentes e minha pele. Pra mim, é uma alegria”.

Entre as dicas que ela aprendeu para substituir o cigarro estão: escovar os dentes logo após as refeições, beber água toda vez que sentir vontade de fumar, diminuir o consumo de café (se não for possível, adicionar leite) e trocá-lo por chá, escolher alimentos saudáveis, e o mais importante: praticar atividade física.

Do grupo formado por 12 pessoas, apenas seis seguiram até o fim do tratamento. Elisabete é uma delas. Está há dois meses sem fumar. “Mudei a minha rotina. Busquei qualidade de vida. E sei que só depende de mim. Tudo é uma questão de escolha: escolhi começar a fumar e escolhi parar de fumar”, finaliza.

Psiquiatria do HUSF

Na enfermaria da Psiquiatria do HUSF, os pacientes contam com a vantagem de ter um ambiente livre de tabaco, porém devido a demanda de pacientes tabagistas de longa data, existe um projeto chamado "Ajudando pacientes a deixar de fumar". Este projeto conta com equipe multiprofissional, que proporciona qualidade de vida aos pacientes. Durante a internação eles percebem a necessidade para de fumar, evitando mais complicações à saúde e contribuindo para cessar o uso do cigarro de forma mais tranquila.

É o que explica V.Z.M, 40 anos, tabagista desde os 12 anos de idade. Ele fumava dois maços de cigarros por dia e realizou o tratamento num momento delicado de sua vida. Hoje mantém a abstinência, considerando melhora significativa no humor, paladar e vida social.  V.Z.M acredita que após participar do programa em um grupo operativo - dirigido pela psicóloga Lenilza Soares Cruz - com orientações e palestras motivacionais, despertou para necessidade urgente de mudança para melhor qualidade de vida. Atualmente não faz uso dos adesivos de nicotina  e se mostra fortalecido a continuar o tratamento, sentindo-se mais animado e com disposição.

Mais informações:

O Ministério da Saúde possui um programa para ajudar os fumantes a deixarem o cigarro: http://portalsaude.saude.gov.br/saudebrasil

Para saber quais as Unidades de Saúde de Estratégia da Família em Bragança Paulista oferecem os grupos de tratamento acesse:  http://www.braganca.sp.gov.br/newsite/content.php?id=17

 


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